Galvão Bueno rompe com N Sports após processo contra o SBT

Narrador discordou da decisão da empresa de cobrar mais de R$ 40 milhões do SBT na Justiça e afirmou que não quer ter sua imagem associada à disputa
Galvão Bueno
Galvão Bueno. Foto: Bruno Santos/Folhapress

Resumo da Notícia

  • Galvão Bueno decidiu deixar a N Sports após discordar da decisão da empresa de levar o SBT à Justiça em uma disputa envolvendo receitas comerciais da transmissão da Copa do Mundo de 2026.
  • A N Sports cobra mais de R$ 40 milhões do SBT e pediu o bloqueio de valores da emissora. A empresa afirma que parte das receitas de patrocínios e ativações comerciais não teria sido repassada conforme o acordo.
  • Galvão afirmou que sempre defendeu uma solução negociada para o conflito e revelou que já havia avisado aos sócios que deixaria a empresa caso a divergência com o SBT se transformasse em litígio.
  • Apesar do rompimento com a N Sports, Galvão Bueno não rompeu com o SBT. Na carta, ele agradeceu à família Abravanel e afirmou que seu futuro profissional continua ligado à emissora.
  • A disputa ganhou relevância porque a N Sports e o SBT haviam formado uma parceria para transmitir 32 jogos da Copa do Mundo de 2026, projeto que contou com Galvão na narração das partidas da Seleção Brasileira.
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Galvão Bueno decidiu deixar a sociedade com a N Sports após discordar da estratégia adotada pela empresa em uma disputa comercial com o SBT. A companhia entrou na Justiça contra a emissora para cobrar mais de R$ 40 milhões relacionados às receitas comerciais da transmissão da Copa do Mundo de 2026.

A decisão de Galvão foi comunicada em uma carta enviada à família Abravanel e à diretoria do SBT. No documento, o narrador afirmou que sempre defendeu uma solução negociada para as divergências e que não concorda com a transformação do conflito em uma disputa judicial.

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Por que Galvão Bueno decidiu deixar a N Sports?

Galvão Bueno e Tiago Leifert na Copa do SBT
Galvão Bueno e Tiago Leifert na Copa do SBT. Foto: Divulgação

A principal razão apontada por Galvão para sua saída é justamente a discordância em relação à forma como a N Sports decidiu cobrar os valores que considera devidos pelo SBT.

Na carta, o narrador afirmou ter ressalvas sobre decisões estratégicas e financeiras da empresa, mas destacou que sua maior divergência estava relacionada ao tratamento dado aos resultados comerciais da Copa.

Para Galvão, a questão deveria ser resolvida por meio de diálogo e negociação entre as empresas, e não nos tribunais.

“Para mim, divergências entre parceiros se resolvem com diálogo e negociação — não na Justiça”, afirmou no documento.

O narrador também disse que havia incentivado sua equipe a buscar uma nova rodada de conversas com o SBT antes que a disputa avançasse.

N Sports cobra mais de R$ 40 milhões do SBT

A crise entre as empresas ganhou uma dimensão judicial em 11 de setembro. A N Sports acionou o SBT no Tribunal de Justiça de São Paulo e pediu o bloqueio de valores das contas da emissora.

Segundo os documentos apresentados pela empresa, a cobrança envolve receitas de patrocínios e ativações comerciais relacionadas ao projeto da Copa do Mundo de 2026. A N Sports afirma que parte dos valores recebidos pelo SBT não teria sido repassada conforme o acordo firmado entre as companhias.

O acordo previa a divisão das receitas comerciais, com 74% destinados ao SBT e 26% dos lucros para a N Sports, segundo informações apresentadas no processo. A empresa também afirma que um aditivo contratual chegou a reconhecer uma dívida de aproximadamente R$ 17 milhões, mas que novos valores continuaram pendentes.

As alegações da N Sports fazem parte do processo judicial e ainda serão analisadas pela Justiça.

Galvão não quer ser associado ao processo contra o SBT

Um dos principais argumentos apresentados por Galvão na carta foi a preocupação com a imagem construída ao longo de sua carreira.

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Segundo o narrador, a N Sports ficou conhecida no mercado como a “TV do Galvão”, o que faria com que uma eventual disputa judicial contra o SBT também fosse associada diretamente à sua imagem.

“Para o público e grande parte do mercado, a NSports é ‘a TV do Galvão’. Não aceito que, depois do que construímos na Copa do Mundo, fique a imagem de que ‘a TV do Galvão’ está processando o SBT”, afirmou.

Galvão ainda ressaltou que nunca processou uma empresa de comunicação depois de deixar um veículo durante seus 52 anos de carreira.

Galvão mantém relação com o SBT

Apesar da saída da N Sports, Galvão deixou claro que a decisão não representa um rompimento com o SBT.

Na carta enviada à emissora, o narrador agradeceu à família Abravanel pela recepção e pelo trabalho realizado durante a Copa do Mundo. Ele também afirmou que pretende manter seu futuro profissional ligado ao canal.

“Por mim, meu futuro profissional segue de mãos dadas com o SBT”, escreveu.

A declaração é importante porque diferencia a posição pessoal de Galvão da disputa comercial entre as duas empresas.

Como foi a parceria entre SBT e N Sports na Copa?

SBT e N Sports adquiriram conjuntamente os direitos para transmitir 32 partidas da Copa do Mundo de 2026, incluindo todos os jogos da Seleção Brasileira.

O acordo foi anunciado oficialmente pelas empresas em outubro de 2025. O modelo previa transmissão simultânea na TV aberta pelo SBT e nos canais da N Sports, além de distribuição digital.

Galvão foi responsável pela narração dos jogos do Brasil durante o Mundial, enquanto Tiago Leifert narrou outras partidas da competição.

O projeto terminou com a final da Copa, em julho, marcando também a despedida de Galvão das narrações de Mundiais após 14 edições consecutivas.

Galvão já havia manifestado preocupação antes da ação

A carta enviada ao SBT foi assinada em 2 de setembro, nove dias antes de a N Sports ingressar com a ação judicial.

No documento, Galvão revelou que já havia comunicado aos demais sócios sua intenção de abandonar a integralização de sua participação na empresa caso a divergência com o SBT se transformasse em litígio.

Ele também afirmou que foi contrário às notificações extrajudiciais enviadas ao SBT, às agências e aos clientes.

“Não concordo, não compactuo e não quero fazer parte desse tipo de prática”, escreveu.

A posição mostra que o narrador já havia estabelecido internamente sua condição para permanecer na sociedade: a solução deveria ocorrer por meio de negociação, e não de uma batalha judicial.

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