Resumo da Notícia
Na última semana, o público e a mídia, ficaram surpresos com o desabafo da grande estrela da atual novela das 9: Taís Araújo. A atriz se mostrou incomodada com o desenvolvimento, por parte de Manuela Dias – autora responsável pelo remake de “Vale Tudo” – da grande protagonista.
Quando iniciou a produção de “Vale Tudo”, Taís Araujo foi o primeiro nome pensado para viver a protagonista Raquel Accioly. Inicialmente, a atriz não teve interesse no papel. Ela queria viver uma grande vilã. Mas, ao assistir o primeiro capítulo da primeira versão da novela, ao lado do marido Lázaro Ramos, a intérprete viu que se tratava da maior heroína da história das novelas, interpretada por Regina Duarte em 1988. Muito nova para viver a vilã Odete Roitman e madura para viver Maria de Fátima, a atriz resolveu interpretar a protagonista.
Na versão de 88, Raquel Accioly fazia o contraponto às maldades de sua filha Maria de Fátima e queria mostrar que era possível enriquecer através do trabalho, sendo honesta e enfrentando, também, as maldades de Odete. Se as vilãs eram capazes de tudo por dinheiro, Raquel mostrava que o trabalho dignificava uma pessoa.

Se no meio da novela, Maria de Fátima perdia tudo, Raquel enriquecia cada vez mais. Em um determinado momento da trama, a personagem, inclusive, passa a morar em um grande apartamento e quando Maria de Fátima perde tudo, ela procura a mãe, agora rica, e verifica que suas escolhas foram erradas. Eis aí o grande conflito da novela: Maria de Fátima caiu e Raquel bate a porta de sua casa na cara da filha, assim como ela previu na fatídica cena em que Raquel rasga o vestido de Maria de Fátima.
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Porém, Manuela Dias, resolveu ir por outro caminho. Raquel conseguiu abrir sua empresa, porém, era a sócia minoritária, não enriqueceu, foi dividir uma casa, no subúrbio, com seu amigo Poliana. Torna-se vítima de uma armação de Odete, perde tudo e volta a vender sanduíche na praia. Mesmo já tendo um nome no mercado, mesmo participando de um reality show que ela venceu na TV, para, posteriormente, ser salva pela “bondade” de uma mulher branca que lhe devolveu o imóvel que Odete tirou dela.
Assim, nesta versão, quando Maria de Fátima procura a mãe, ela está pobre também, o que mostra que a honestidade da Raquel também não levou a lugar algum. O conflito foi empobrecido.
O incômodo de Taís se dá pelo fato do arco de Raquel não ter sido respeitado, como em 88. A atriz acreditava que poderia abrir um procedente ao mostrar a evolução financeira de uma mulher preta, sem precisar da bondade de pessoas brancas. Não foi o que aconteceu.
Provavelmente o desenvolvimento da personagem causou um gatilho na atriz. Em 2009 a atriz deu vida à Helena, a protagonista de “Viver a Vida”. O desenvolvimento da personagem foi ruim e Taís Araujo foi duramente criticada, se afastando das novelas. Na semana da Consciência Negra, daquele ano, uma cena chocou a todos: Helena se ajoelha e pede para que Tereza, personagem de Lília Cabral, lhe desse um tapa na cara, o que ocorreu. Uma situação da época escravagista: a sinhá que violenta a escrava.
Em 1997, quando fez sua estreia na Globo, em “Anjo Mau”, a atriz viveu Vivian, uma ex-garota de rua, que foi adotada por Cida, personagem de Léa Garcia. Num determinado momento da trama, ao negar as investidas de Ricardo, personagem bon-vivant, de Leonardo Brício, o mesmo a estupra, chamando-a de “negrinha”, falando que era o “senhor dela”, numa das cenas mais fortes já vistas na teledramaturgia. Os outros personagens da novela normalizam a atitude de Ricardo. Assim, Vivian o perdoa e termina a trama com ele. Vicente Villari, um dos colaboradores da trama, disse, em seu canal no Youtube, que Taís Araujo ficou decepcionada com isso.
Fato é que não adianta colocar pessoas pretas em papéis de protagonistas ou centrais, e não investir em autores pretos, diretores pretos. Uma pessoa branca não tem lugar de fala quando se trata da vida de pessoas pretas. É compreensível que a emissora queira modificar um problema que ocorre desde que a televisão chegou ao Brasil. Mas é preciso mais. É preciso discutir, com seriedade, a questão da inclusão. Inclusão pela inclusão é oportunismo.
Ao contrário de 2009, Tais Araújo é absolutamente elogiada pelo tom que deu para sua Raquel. Desde o primeiro capítulo ela se tornou o grande nome da novela. Em todas as cenas ela entregou mais do que esperava e sairá de “Vale Tudo” ainda maior do que entrou.
Assim, para Tais: nosso apoio!
