“Dona de Mim”: por qual motivo a novela não decolou?

Coluna Dona de Mim não decolou ainda
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Nas últimas semanas pipocaram notícias de que a Globo estaria preocupada com a queda de audiência e repercussão de “Dona de Mim”, atual produto das 19 horas da emissora.

A novela, que estreou em abril, estava cercada de expectativas, pois marcou o retorno de Rosane para o horário das sete, depois do sucesso de “Vai na Fé” e de ter sido bem sucedida, também, com “Totalmente Demais” e “Bom Sucesso”. Porém, passada a euforia, a trama esfriou, a audiência caiu e a repercussão despencou.

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Mas o que estaria por trás dessa queda de interesse do público? O problema estaria na falta de planejamento por parte da TV Globo.

Leo e Samuel trocam olhares em Dona de Mim
Leo e Samuel trocam olhares em Dona de Mim. Foto: Reprodução/Globo

Há dois anos, a emissora carioca levou ao ar, com muito sucesso, a novela “Vai na Fé”. A trama grava em torno de Sol, uma mulher batalhadora que vivia na periferia do Rio de Janeiro. A novela trouxe o protagonismo de mulheres fortes, numa comédia romântica.

Menos de 1 ano depois, a Globo trouxe, ao ar, a novela “Volta por Cima”, de Cláudia Souto, que fez relativo sucesso no horário. Apesar de autoras diferentes, toda a estética de “Vai na Fé” estava presente na trama que se encerrou em abril. Tudo era muito parecido: uma novela popular, com um forte núcleo no subúrbio do Rio de Janeiro, com mulheres fortes.

Para substituir “Volta por Cima”, a Globo trouxe, de volta, Rosane Svartman, que retornou com a mesma estética de sua trama anterior, que, por sua vez, tinha servido de base para a novela anterior do horário. Ou seja: em dois anos, a emissora apresentou três novelas idênticas, gerando um certo cansaço no público.

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Antigamente, a Globo tinha um cuidado maior em não repetir tramas parecidas no mesmo horário. O correto, no caso, seria a emissora exibir “Coração Acelerado”, que terá uma pegada country e, só depois, colocar “Dona de Mim” no horário. Porém, como já dito aqui, a emissora carece de um profissional gabaritado, para tocar seu setor de teledramaturgia. A mesma falta de cuidado que fez com que “Terra e Paixão” esvaziasse “Renascer”.

Colabora, ainda, para a queda na audiência, um roteiro fraco. Se perguntarem para qualquer telespectador do horário, ninguém sabe qual é o conflito central da novela. O que busca a Léo? Sua trama com Sophia durou apenas 1 mês. Ela se tornou a babá da menina… e daí? Qual o conflito que ela tem agora? Qual é seu par romântico? Para quem o público tem que torcer? Para o Samuel? Para o Davi? Ou para o Marlon?

As tramas paralelas também não despertam interesse. A Filipa, personagem de Claudia Abreu, que poderia ser interessante, ainda não mostrou a que veio. A amizade entre a Kami e a Leona, que poderia gerar uma identificação com o público, mostrando a união entre duas mulheres, acabou indo para o lado da rivalidade. O público não compra uma amizade desleal. Basta ver o que aconteceu com a Viola de “Mania de Você”.

O público precisa de conflitos. Precisa se identificar com as personagens para torcerem por elas.
Apesar das falhas, a novela tem, ao menos, atores competentes segurando a trama: Clara Moneke tem luz própria e brilha como protagonista em seu terceiro papel na TV. Elis Cabral é uma grata surpresa: poderá ter uma grande carreira na Globo. Giovanna Lancellotti também defende bem sua personagem. Claudia Abreu, mesmo com uma personagem que ainda não aconteceu, mostra que faz falta às novelas. Aline Borges é um grande destaque com sua vilã.

Ainda temos 6 meses de novela pela frente. É muita coisa. Infelizmente não parece ter roteiro para todo este tempo. Mas Rosane é uma grande autora e poderá colocar a trama nos eixos.

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