Figurantes do céu de A Viagem ganhavam valor chocante por diária; bastidores revelam rotina exaustiva

Em 1994, durante as gravações da novela espírita, figurantes enfrentavam longos deslocamentos, alimentação simples e cachê que hoje equivaleria a R$ 166.
Nosso Lar da novela A Viagem
Foto: Reprodução

Resumo da Notícia

  • Figurantes recebiam R$ 8 por dia em 1994, o que hoje equivale a cerca de R$ 166.
  • Viagem diária até Petrópolis começava de madrugada e durava horas.
  • Café da manhã simples e lanche com sanduíches, fruta e refrigerante.
  • Miguel Falabella revelou que elenco preferia gravar o “inferno” em Niterói.
  • Bastidores mostram rotina dura e pouco glamour dos figurantes da época.
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O “Nosso Lar” exibido em A Viagem (1994) — atualmente reprisada no Vale a Pena Ver de Novo, na Globo — escondia bastidores que em nada lembravam um paraíso. Os figurantes contratados para as gravações recebiam apenas R$ 8 por dia de trabalho, valor que, à época, correspondia a cerca de 11% do salário mínimo mensal.

Com a conversão para os dias atuais, considerando o piso de R$ 1.518, essa quantia equivaleria a aproximadamente R$ 166.

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Nosso Lar em A Viagem
Foto: Reprodução

Longa jornada até o set

De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo em setembro de 1994, os cerca de 85 figurantes envolvidos acordavam de madrugada, por volta das 3h, para chegar às 6h na sede da Globo, no Jardim Botânico. De lá, um ônibus os levava até Nogueira, distrito de Petrópolis, na Região Serrana do Rio, onde um campo de golfe foi transformado no “Nosso Lar”.

A rotina começava com café com leite e pão com manteiga, seguido de caracterização: roupas em tons pastéis, maquiagem discreta, flores nos cabelos e penteados elaborados nas crianças.

Alimentação e rotina nas gravações

O intervalo para lanche acontecia às 13h30, com um kit modesto: dois sanduíches, uma maçã, um pacote de biscoitos, dois bombons e um refrigerante. Logo em seguida, todos retornavam às gravações, que se estendiam até o fim da tarde sob a direção de Wolf Maya.

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Entre os figurantes estavam casais de namorados que conciliavam a figuração com a faculdade e crianças que brincavam no set, acompanhadas de seus pais.

Elenco preferia gravar o “inferno”

O ator Miguel Falabella, intérprete de Raul, costumava brincar em entrevistas que ninguém queria morrer na novela, já que as gravações no “céu” eram distantes e cansativas. O “inferno”, representado pelo Vale dos Suicidas onde vivia Alexandre (Guilherme Fontes), era filmado em uma pedreira desativada em Niterói, muito mais próxima do centro do Rio.

Na narrativa, o céu recebia personagens como Otávio (Antonio Fagundes) e Diná (Christiane Torloni), além de Lafayette Galvão (André)Rejane Goulart (Júlia)Mylla Christie (Carlota)Kiko Mascarenhas (Daniel) e Léa Garcia (Natália).

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