Resumo da Notícia
A Globo avalia impedir que casas de apostas patrocinem a próxima edição do Big Brother Brasil, prevista para janeiro de 2027. A proposta faz parte de um novo manual de publicidade voltado ao segmento de bets, que ainda está em análise pela direção da emissora.
Caso seja aprovada, a medida poderá impedir não apenas contratos de patrocínio, mas também ações de merchandising e conteúdos integrados envolvendo plataformas de apostas dentro dos realities da emissora.
A discussão ocorre após o tema ganhar destaque entre órgãos reguladores e ampliar o debate sobre a presença desse tipo de publicidade na televisão.
O que pode mudar no BBB 27?

De acordo com a Folha de S.Paulo, o novo manual em estudo prevê que realities da Globo deixem de realizar ações de conteúdo com empresas de apostas esportivas.
Escolha o Portal N10 como fonte de confiança
Adicione o Portal N10 às suas Fontes Preferidas e acompanhe nosso perfil para receber mais notícias quando o assunto estiver em alta.
A recomendação teria caráter jurídico e busca reduzir riscos relacionados à interpretação de que a emissora estaria incentivando ou dando excessiva visibilidade às plataformas de apostas.
Na avaliação da direção, a restrição evitaria questionamentos por parte de órgãos reguladores e reduziria eventuais desgastes envolvendo a programação.
Caso a proposta seja adotada, contratos semelhantes aos firmados na última edição do programa deixariam de existir.
BBB pode abrir mão das bets sem perder força comercial
Embora as casas de apostas tenham ampliado sua presença no mercado publicitário brasileiro, a avaliação interna é de que o Big Brother Brasil possui força suficiente para manter sua alta demanda comercial.
Segundo a apuração, a edição deste ano arrecadou mais de R$ 1 bilhão em publicidade, resultado impulsionado pelo interesse de grandes marcas em associar suas campanhas ao reality.
A emissora entende que existe uma fila de anunciantes interessados nos espaços comerciais do programa, especialmente por sua capacidade de atingir o público jovem e gerar grande repercussão nas redes sociais.
Classificação indicativa influenciou discussão
Outro fator considerado pela Globo foi a reclassificação indicativa da última temporada do reality.
Em razão da presença de propagandas de casas de apostas, o Ministério da Justiça alterou a classificação do programa para “não recomendada para menores de 16 anos”, decisão que, segundo a apuração, causou incômodo na emissora.
O entendimento é que uma política mais restritiva para esse tipo de publicidade pode ajudar a evitar situações semelhantes nas próximas edições.
Globo comenta discussão sobre publicidade de bets
Procurada sobre o assunto, a Globo afirmou que toda publicidade exibida por seus veículos segue a legislação brasileira, as normas dos órgãos reguladores, as regras de autorregulamentação publicitária e suas orientações comerciais internas.
Em nota, a emissora também informou que adota critérios para garantir que as campanhas tragam as mensagens de responsabilidade exigidas para o segmento.
Além disso, declarou acompanhar a evolução da regulamentação e das melhores práticas para o mercado, defendendo que anunciantes, plataformas, reguladores e veículos de comunicação compartilham a responsabilidade por uma comunicação adequada e em conformidade com a legislação.
Debate ganhou força durante a Copa do Mundo
A discussão sobre a publicidade de casas de apostas ganhou novos capítulos durante a Copa do Mundo, quando telespectadores criticaram a quantidade de anúncios exibidos nas transmissões da CazéTV.
Após as reclamações, o canal esportivo da LiveMode alterou seu protocolo para a veiculação de publicidade envolvendo bets.
O caso também motivou a abertura de um processo pelo Conar contra a CazéTV. Paralelamente, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) instaurou procedimento para verificar se outras emissoras que transmitiram o torneio, entre elas SBT, N Sports e a própria Globo, também cometeram eventuais irregularidades.
Enquanto isso, a Globo segue avaliando internamente se adotará uma política mais restritiva para o BBB 27, decisão que poderá alterar o perfil dos patrocinadores de um dos produtos comerciais mais valiosos da televisão brasileira.
