Crítica | “Perrengue Fashion” mostra o lado humano por trás da fama e da influência digital

Mais do que uma comédia sobre influenciadores e moda, o filme revela uma artista que entende o público, o mercado e a indústria com rara inteligência.
Crítica do filme Perrengue Fashion
Foto: Divulgação

Resumo da Notícia

  • Perrengue Fashion marca a estreia solo de Flavia Lacerda na direção de longas.
  • Ingrid Guimarães assume papel central como atriz, roteirista e mente criativa do projeto.
  • A comédia vai além do universo da moda, abordando o reencontro entre mãe e filho.
  • O filme equilibra humor, emoção e reflexão sobre o mundo digital e seus excessos.
  • Produção reforça o amadurecimento do cinema comercial brasileiro com identidade própria.
Continua após a publicidade

“Perrengue” é uma daquelas palavras que o brasileiro entende sem precisar abrir o dicionário: é aperto, sufoco, imprevisto. Já “fashion” é o oposto — brilho, passarela, estética. Quando essas duas ideias se encontram em um mesmo título, a curiosidade é imediata.

E é justamente aí que Perrengue Fashion, dirigido por Flavia Lacerda, mostra sua força: na habilidade de transformar o caos em estratégia e a comédia em um espelho de um tempo em que ser “influencer” virou profissão — e também armadilha.

Continua após a publicidade

Uma trama sobre reconexão e diferenças

A história acompanha Paula Pratta, uma influenciadora que luta há anos para se tornar relevante nas redes sociais. Quando finalmente conquista uma grande campanha de moda, descobre um obstáculo inesperado: para estrelar o anúncio de Dia das Mães, ela precisa da participação do filho, Cadu (Filipe Bragança).

Só que ele abandonou a vida urbana e agora vive em uma comunidade autossustentável na Amazônia. O reencontro entre mãe e filho se transforma em uma jornada cômica e emocional, onde cada passo é um choque de valores entre o mundo da vaidade e o da simplicidade.

Filme Perrengue Fashion
Foto: Reprodução

Um roteiro que equilibra humor, emoção e propósito

O roteiro — escrito por Ingrid, Marcelo Saback, Célio Porto e Edu Araújo — é afiado e tem ritmo. O humor nunca é gratuito; nasce das diferenças entre os personagens e das contradições do nosso tempo.

O tom cômico e o olhar humano

Em meio a selfies, campanhas publicitárias e discursos ecológicos, há um retrato humano sobre aceitação, reconciliação e propósito.

Cobertura relacionadaFilme de Michael Jackson já arrecadou US$ 900 milhões; será que o filme chega ao bilhão?

A direção de Flavia Lacerda

Flavia Lacerda dirige com leveza, sem tentar reinventar o gênero, mas mantendo uma fluidez que prende o público até o fim. A fotografia vibrante e a montagem dinâmica reforçam o tom “fashion” do título, mas é o lado emocional que garante o coração do filme.

Entre clichês e acertos: o que o filme entrega?

Sim, Perrengue Fashion tem seus clichês — afinal, é uma comédia popular —, mas assume isso com orgulho. A sinceridade com que entrega o que promete é seu maior mérito.

É um entretenimento que sabe o que é, para quem existe e o que pretende alcançar. Ao final, saí do cinema com a sensação de ter visto não apenas uma comédia divertida, mas o retrato de uma artista que entendeu o próprio tempo.

Nota: ★★★★☆ (4/5)
Um filme leve, bem estruturado e com uma protagonista em domínio total da própria narrativa.

Assistir vídeo
Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.