Resumo da Notícia
Conhecido por buscar referências em grandes clássicos do cinema, Christopher Nolan revelou uma inspiração que chamou a atenção dos fãs durante a preparação de A Odisseia. Entre os filmes exibidos ao elenco e à equipe, um dos mais importantes foi A Última Tentação de Cristo (1988), dirigido por Martin Scorsese.
A revelação foi feita pelo próprio cineasta em entrevista ao USA Today, na qual explicou que a obra serviu como ponto de partida para pensar na construção dramática de Ulisses, protagonista da adaptação do poema épico de Homero.
Segundo Nolan, o longa de Scorsese impressiona não apenas pelo aspecto técnico, mas principalmente pela maneira como humaniza seu personagem central.
“Assistimos a vários filmes durante a pré-produção. Esse, em especial, conseguimos recuperar em película. É um filme extraordinário e chocante. A forma como Scorsese aborda Jesus foi extremamente inspiradora para pensar em Ulisses. Queríamos ser fiéis às dificuldades do personagem”, afirmou o diretor.
Por que A Última Tentação de Cristo influenciou o novo filme?

À primeira vista, a ligação entre as duas produções pode parecer improvável. No entanto, Nolan explicou que o interesse estava menos na temática religiosa e mais na forma como Scorsese retrata um protagonista marcado por conflitos internos.
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Em A Última Tentação de Cristo, Jesus é apresentado como um homem dividido entre sua missão e seus dilemas pessoais. A proposta de A Odisseia segue caminho semelhante ao mostrar um Ulisses distante da imagem do herói perfeito, explorando suas dúvidas, limitações e o peso de suas escolhas.
Essa abordagem aproxima as duas obras ao privilegiar personagens complexos e profundamente humanos.
Quais temas aproximam os dois filmes?
Embora adaptem histórias completamente diferentes, os dois longas dialogam em diversos aspectos narrativos.
Entre os principais temas estão:
- o conflito entre destino e livre-arbítrio;
- os sacrifícios exigidos pela jornada do protagonista;
- a busca pela própria identidade;
- os desafios morais enfrentados durante o caminho.
Esses elementos ajudam a explicar por que Nolan enxergou na obra de Scorsese uma referência importante para adaptar um dos textos mais influentes da literatura ocidental.
Lawrence da Arábia também serviu de referência
A influência de Scorsese não foi a única mencionada pelo diretor.
Recentemente, Tom Holland revelou que Nolan promoveu uma sessão em 70 mm de Lawrence da Arábia, clássico de David Lean considerado uma das maiores produções épicas da história do cinema.
A escolha reforça a intenção do cineasta de combinar grandes paisagens, fotografia monumental e narrativa intimista em sua adaptação de A Odisseia.
Outra decisão que aproxima o novo projeto de algumas produções clássicas é a opção por permitir que os atores utilizem seus sotaques naturais durante as interpretações, estratégia que também foi adotada por Scorsese em A Última Tentação de Cristo.
O que esperar de A Odisseia?
Embora muitos detalhes da trama permaneçam em segredo, as declarações de Christopher Nolan indicam que o longa deverá priorizar uma visão mais humana de Ulisses, equilibrando espetáculo visual e desenvolvimento psicológico.
A expectativa é que o diretor mantenha sua marca registrada de narrativas densas, aliando cenas grandiosas a reflexões sobre escolhas, destino e sobrevivência.
